28/05/2007 12:18
John Wayne, 100 anos
John Wayne completaria 100 anos anteontem, 26 de maio. Morreu há 28. Muitas vezes a critica foi feroz com ele, por causa de suas posições políticas notoriamente reacionárias. Na tela compôs, porém, uma personagem poderosa e inesquecível, como herói máximo do western, e também como o pugilista irlandês em busca das raízes em Depois do Vendaval. Sou marcado pela presença de Wayne desde o imediato pós-guerra quando assisti No Tempo das Diligências, Ringo me empolgou. Eu tinha 11 anos. Existe a crença de que os atores têm a melhor chance de mostrar talento no palco do que na tela. Mas como ator de cinema, Wayne foi extraordinário debaixo da batuta de alguns entre os mais notáveis diretores, John Ford, Howard Hawks e Henry Hathaway. Rastros de Ódio, obra prima de Ford, é, para mim um dos dez mais, e a interpretação de Wayne é perfeita. Já me imaginei a entrevistar Ford para chegar ao fundo daquele entrecho, e desvendar toda a sutileza das relações, desenhadas com toque de veludo nas cenas iniciais da película, entre Wayne, o irmão e a cunhada. O jogo é magistral e atinge o ponto alto, embora veloz como bater de asas, na troca fugidia de olhares entre o herói que apareceu para visitar a família, e a cunhada. Nada houve, e nada haverá entre eles, a lealdade ao irmão e ao marido é mais forte. Basta, no entanto, o gesto mínimo para perceber a atração, por mais refreada. Este amor impossível levará Wayne à procura obsessiva da sobrinha raptada pelos índios, até o reencontro com a mocinha tomada de espanto. E então o retorno da personagem à solidão inicial, esgotada a obsessão que lhe deu alento doze anos a fio. Na imaginação, perguntaria a Ford se interpretei corretamente o enredo. E a entrevista se daria à sobra de uma daquelas montanhas surgidas do deserto e lixadas pelo vento.
enviada por mino
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