Mino Carta - dirigiu as equipes criadoras do Jornal da Tarde e das revistas Quatro Rodas, Veja, Istoé e CartaCapital, da qual é diretor de redação.


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30/05/2007 18:28

Barcelona

Lí na coluna Estilo, de CartaCapital, ornada pela assinatura de Nirlando Beirão, ourives do vernáculo, esgrimista das palavras, que Barcelona ostenta uma supremacia cultural, artística e democrática. Perguntei aos meus atônitos botões a quem Nirlando, velho companheiro de mil jornadas, destinaria o papel de vassalo, subordinado, anspeçadas da capital da Catalunha. Mergulharam em pura catatonia, incapacitados à resposta. Não figuram entre aqueles que consideram Barcelona “efêmero capricho da moda”, como Nirlando escreve, creio eu, sem a mais remota intenção de me incluir na categoria. Barcelona não é um efêmero capricho, mas está na moda. Conheço a cidade desde os meus 12 anos e lá estive outras vezes e não hesito em louvar seus encantos. Acho que o primeiro é a vocação festeira, plenamente expressa. Crianças de colo são conduzidas a passear de carrinho pelas ramblas à meia-noite, restaurantes e calçadas estão apinhadas de madrugada. A turma diverte-se. Com graça. O segundo é Gaudí, arquiteto genial, de quem muitos desconhecem o talento urbanístico. Receio, porém, que tivesse arcado com a tarefa de criar uma Barcelona a seu talante, como, digamos, coube a Palladio cuidar de Vicenza ou a Galeazzo Alessi de Genova, o mundo ganharia um inescapável pesadelo, o cenário ideal para contos kafquianos. E não seria rebatizada Odradeck? O terceiro encanto é o Museu Picasso, caminhada ora luminosa, ora sombria, ao longo da vida de um grande artista. El barrio gotico e a catedral já não me empolgam tanto, acho que neste campo os melhores exemplos estão em outros cantos. Lamento dizer, e certamente merecerei a reprovação dos especialistas, que na Espanha jamais comi ou bebi muito bem. E não deixo de anotar uma singularidade de Barcelona, porto de história milenar, onde para ver o mar exige-se desbusado empenho e esforço idem.
enviada por mino






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