02/03/2007 19:02
O começo
Era um dia de fim de março, ou começo de abril de 1976. Domingo Alzugaray abriu uma gaveta da sua mesa de diretor da Editora Três e disse: Guardei aqui um título que mandei registrar faz tempo: Istoé. Que tal?. Estávamos conversando na sala dele, meu irmão Luiz, sócio de Domingo, e eu, sobre o possível nome da revista semanal que pretendíamos fazer juntos. Desde que não fosse política...
Achei o nome muito engraçado. Istoé, por que não? E foi, saiu em maio, lombada quadrada, papel de qualidade, algo assim como uma Esquire brasileira. Era o propósito. Domingo, Luiz e eu fundamos outra editora, Encontro Editorial. A primeira capa exibia Beethoven, o grande surdo, de aparelho no ouvido. A reportagem era assinada por Tão Gomes Pinto, espirituosa, brilhante, como só ele sabe. Sobre a surdez e sobre a vocação brasileira para os ruídos clangorosos. Na redação, além de Tão e do abaixo assinado, estavam Helio Campos Mello, Armando Salem e Fernando Sandoval. Todos haviam deixado a Veja juntamente comigo. Mais tarde vieram Nirlando Beirão e Silvio Lancelotti. Trabalhava-se muito, mas dávamos muitas risadas. Não daríamos se soubéssemos que trinta e um anos depois a Istoé acabaria na mão do banqueiro orelhudo.
enviada por mino
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