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04/12/2006 17:56

Visões de democracia

Também desta vez a mídia nativa botou pra quebrar. E mais uma vez não deu: Chávez ganhou as eleições venezuelanas. Bem que editorialistas, colunistas, cronistas e repórteres fizeram o possível e o impossível para impedir o triunfo do mal: não deu. Que houve? O bom Deus fala aos ouvidos moucos, como quando a seleção brasileira de futebol perde? Chávez ganhou à la Lula, com vantagem mais ou menos igual, e contra a mídia lá deles. Algo me preocupa, porém, em relação a Chávez, e agora não me permito a ironia. Preocupa-me, sim, e de verdade. Essa história de pretender o poder até 2021 não merece o aplauso dos democratas autênticos. Talvez o ensaísta Tariq Ali, pluripublicado no Brasil, tenha visão diferente de democracia. Em uma entrevista à BBC, criticou Lula, por considerá-lo moderado demais e atrelado a políticas neoliberais, e tocou violino em homenagem a Chávez, por causa do seu papel “revolucionário”. Boa resposta deu à entrevista de Ali o professor Luiz Alberto Moniz Bandeira. Disse, basicamente, que a Venezuela não é o Brasil, e que aqui Lula porta-se conforme as conveniências de um país capitalista como o Brasil. Nem sempre, devo confessar, a moderação de Lula me deixa entusiasmado. Mas é indiscutível que ele jamais cogitaria esticar seu mandato ad infinitum, embora a mídia nativa não se canse de acusá-lo de sonhar, ou querer mesmo, imitar Chávez. Tenho certeza de que Lula alimenta uma concepção de democracia muito mais próxima da ideal, infinitamente mais, do que a mídia nativa.
enviada por mino






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