08/12/2006 17:28
Uma observação de D'Alema
O vice-premier e ministro das Relações Exteriores da Itália, Massimo D'Alema, nascido dentro do Partido Comunista, hoje democrático da Esquerda, já anunciou sua presença na segunda posse do presidente Lula. Na chancelaria peninsular, D'Alema devolveu à Itália, nestes poucos meses de governo Prodi, papel de muito peso no plano internacional, inclusive no que respeita às relações com a América Latina. Nos últimos dois anos, ainda na oposição na qualidade de presidente dos DS, ele visitou o Brasil quatro vezes. Trata-se, aliás, de um velho amigo de Lula, que conhece desde as primeiras viagens à Itália do ex-sindicalista e líder do PT. Por causa de uma frase minha a envolver D'Alema, com quem tenho relações de amizade, fui peremptoriamente convidado a sair do Brasil e regressar à terra natal por figura notável da política nacional, hoje aposentado, faz pouco mais de três anos. Falávamos pelo telefone, ousei sustentar que o MST era movimento quase moderado, em um país como o nosso, onde um por cento da população detem 50 por cento das terras agriculturáveis. O interlocutor começou a ficar irritado, baixou a lenha na política de assentamentos do governo Lula e louvou a do governo Fernando Henrique Cardoso. Foi aí que escorreguei. Disse que FHC foi o pior presidente da história brasileira, o outro revidou com os clichés habituais: FHC é um estadista e um intelectual que o mundo nos inveja. Lembrei então de uma observação de D'Alema, em entrevista a CartaCapital: "FHC foi um presidente de exportação". Passei da conta, o eminente cavalheiro decretou, irado: "Volte para a Itália".
enviada por mino
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