07/12/2006 10:11
Polvos gigantes às dúzias
Paulo Machado de Carvalho Filho, mais conhecido como Paulinho, filho do Marechal da Vitória e comandante da Record, grupo de comunicação por largo tempo debaixo da batuta dos Machado de Carvalho, lançou livro na segunda passada. Histórias... Que a História Não Contou. O livro é organizado por Carlos Caraucci e contém um portfolio de fotos impressionante, a cobrir um vasto espaço da vida do País e da Record. Paulinho, hoje aos 84, é o único patrão com quem não me indispus. Tive na tevê dos Machado de Carvalho um programa que ia ao ar na noite de segunda-feira e se chamava Jogo de Carta. Dirigido pelo excelente Fernando Faro. Começou em setembro de 84, entrou de cabeça na campanha das indiretas. Quando Tancredo Neves se elegeu, Paulinho me chamou e disse ter angariado anúncios para sustentá-lo dali em diante. Tornou-se um programa polêmico, talk-show eminentemente político. Antonio Carlos Magalhães, ministro das Comunicações de José Sarney, deu para pressionar, primeiro na tentativa de baixar os decibéis, depois para me pôr no olho da rua. Paulinho resistiu. No momento em que Dílson Funaro deixou o ministério da Fazenda, Jogo de Carta incumbiu-se de contar as manobras de Roseana Sarney e do marido, Jorge Murad. Foi um deus-nos-acuda. A gota fatal foi, porém, uma entrevista com Leonel Brizola, em abril de 1987. O programa entrava às 23 horas. Naquela segunda entrou na madrugada de terça, depois de um inesgotável filme na linha vinte mil léguas submarinas. Polvos gigantes às dúzias. Na própria terça, procurei Paulinho e disse: Olha, meu amigo, felizmente esse programa não é meu primeiro ganha-pão, de sorte que, numa boa, retiro-me, a bem da Record e seu. Ficamos amigos, e lá fui eu, segunda-feira passada, para ganhar meu autógrafo. E Paulinho, logo que me viu: E o Antonio Carlos, queria de todo jeito que eu o mandasse embora.... Rimos. Foi, excepcionalmente, tempo de rir.
enviada por mino
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