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06/12/2006 11:14

O tempo da Arte se fue.

Murmura-se que desde outubro realiza-se em São Paulo a Bienal de Arte. Não sabia. Boiei, como se dizia outrora. Mas será mesmo de Arte, como aquelas que São Paulo abrigou, por exemplo, nos anos cinquenta? Recordo a primeira, anterior ao IV Centenário, montada no Trianon, tempo em que o edificio do MASP, de autoria de Lina Bo Bardi, não era sequer projeto. Lembro sobretudo das naturezas mortas de Morandi e dos cavalos de bronze de Marini. Lembro de um pintor belga, Pemerke. Na Bienal, anos depois, vi uma retrospectiva, imponente, de Picasso. O tempo da Arte com A grande se fue. Agora é a bandalheira dos aproveitadores e dos idiotas, com o beneplácito dos pretensos críticos, tragicamente iletrados e incultos, para a alegria dos marchands idem, idem, com batatas. De resto, é de agora a cotação de fotos ampliadas em alto-contraste por Andy Warhol a 9 milhões de dólares cada. Seis anos atrás, visitei em Roma o Museu Massimo, que expõe, entre outros, um acervo notável de pintura romana. Os romanos do I século antes de Cristo desenhavam e pintavam como gente grande. Conheciam, inclusive, a perspectiva. Já no II século depois de Cristo a decadência é transparente, cada vez mais apressada. Os homens perdem, literalmente, a perspectiva, a qual só seria recuperada no fim de 1300, começos de 1400. Às vezes, ao tropeçar na arte atual, de a mínimo (e talvez nem mesmo este mereça), eu me pergunto se não está aí a prova do nosso ingresso em uma Idade Média. Como se dava naqueles séculos da decadência de Roma.
enviada por mino






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