07/12/2006 13:41
Injúrias e afrontas
Hoje recebo no Rio de Janeiro o Prêmio Imprensa Estrangeira de 2006. Estou honrado e, mais ainda, consolado em meio a uma saraivada de golpes baixíssimos, tais como injúrias e calúnias, partidas de senhores dispostos, impavidamente, a se apresentarem como jornalistas. Aviso, porém: de longa data estou acostumado. Recordo os programas da Globo conduzidos por um certo Amaral Neto. Iam ao ar de noite, primeiro semestre de 1974, e de dedo em riste, o inquisidor global invectivava contra este que escreve. Recomendava ao regime militar que tomasse cuidado com alguém capaz de estabelecer a ligação entre o Kremlin e a máfia siciliana. Eram tempos perigosos. Mas, já em 1979, celebérrimo jornalista dizia a meu respeito o oposto, e escrevia, em um jornalão, que aliado de João Figueiredo e Golbery do Couto e Silva, em certo lado do bonapartismo, em visão microscópica e virulenta, está Mino Carta, mini-representante do mandonismo local. O autor do texto acima, digno do senhor Pott, diretor da Eatensville Gazette na primeira metade de 1800, escrevera a respeito de uma reportagem da IstoÉ, que considerava ofensiva aos caídos, sofridos e humilhados. Ou, por outra, a ex-aliados. In illo tempore, eu tratava de salvar o Jornal da República do desastre e, palavra de honra, não lera a reportagem em questão. Com três pequenos retoques, acredito que a pouparia de ataques. No Jornal da República, contava com a parceria de Cláudio Abramo e Raymundo Faoro. Este, enfurecido, pretendia responder ao crítico feroz da IstoÉ, em cujo expediente figurava como presidente do Conselho Editorial. Disse ao Faoro: não faça isso, não vale a pena. E insisti muito, ele não arredou o pé. Resultado: o homem das injúrias afirmou que a resposta era minha. Mino Carta saiu-se com um vitríolo pessoal. E, ao encerrar sua diatribe, escrevia: Mestre Raimundo Faoro, autor de um clássico da sociologia política, Os Donos do Poder, a esta altura deve estar compondo outra inolvidável obra, provavelmente sobre a psicopatologia do autoritarismo, cujo material pode colher à farta, nas páginas às quais empresta seu ilustre nome e valor. Pois é, o vitríolo era mesmo do ilustre mestre, que não quis dar-me ouvidos. Conservo o texto original de Faoro, com correções a caneta. Quem sabe um dia o tire da gaveta.
enviada por mino
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