11/12/2006 12:12
Ditadores e ditadores.
Disse bem o presidente Lula, em nota oficial sobre a morte do general Pinochet, e sua ditadura: "Foi uma longa noite em que as luzes da democracia desapareceram". Certo, certíssimo. E que dizer da nossa noite, que durou 21 anos, enquanto aquela não passou de 17? Pinochet será cremado amanhã, e seu funeral não terá honras de chefe de Estado. Muito menos provocará luto nacional. Agora, observem o que aconteceu quando, há dez anos, faleceu o general Ernesto Geisel, ditador de plantão de 74 a 79, e durante cujo governo a repressão violenta prosseguiu impávida por cerca de três anos, bem como a censura de vários orgãos de imprensa. O então presidente Fernando Henrique Cardoso, o estadista que o mundo nos inveja, decretou luto oficial de três dias, para expressar "o sentimento da nação". No comunicado divulgado na ocasião, FHC acentuava que Geisel empenhou-se pela redemocratização. Dependesse dele, de verdade, continuaríamos atolados no brejo. Quem encaminhou a chamada distensão, que depois virou abertura, foi Golbery do Couto e Silva. Ele sabia manobrar os fios, como se Geisel fosse seu titere. Não convem iludir-se, está claro: tratava-se, em boa parte, de uma operação leopardesca, à moda da Sicilia. Visava a mudar tudo para não mudar coisa alguma, conforme a recomendação do principe de Salina. Ao que parece, Golbery acertou na mosca, pelo menos no que respeita aos anos Sarney, Collor e FHC. Tempo de Lula, é o povo que começou a dar o ar de sua graça, e a ignorar os palanques da mídia. Quanto a Geisel, reveladora é uma fluvial entrevista dada antes de morrer e publicada em livro, um desses que destróem criados-mudos. Ali ele fala do seu êxito no plano econômico, a resultar da convicção granitica por ele alimentada, de que o Brasil era "uma ilha de prosperidade". Quanto à distensão, quer dizer, ao projeto político, a julgar pela entrevista, Geisel nem o percebeu.
enviada por mino
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