17/11/2006 13:39
Um Ronaldo qualquer
Metade da população brasileira é parda ou negra, segundo os levantamentos oficiais. Mais ou menos a metade. Não é improvável, contudo, que a quantidade de pardos e negros seja subestimada, a considerar, por exemplo, que Ronaldo, o ex-Fenômeno, propala a certeza de ser branco. Uma das hipocrisias mais deslavadas perpetradas pela elite nativa afirma a inexistência, por aqui, do preconceito racial. Proponho um teste. Pegue o citado Ronaldo e coloquem na esquina da Peixoto Gomide com a Alameda Jaú, debaixo das folhagens do parque Siqueira Campos, que ali sombreiam a calçada, em São Paulo. Não é meio dia, porém. São duas da manhã, e passa uma viatura da Rota. A bordo estão dois policiais militares, um negro e, talvez, um branco. A conferir. Que acontece com Ronaldo? Escolha a resposta certa. (A) A viatura para bruscamente, os policiais saltam para a calçada e pedem autógrafos. (B) Carregam o jogador sobre os ombros e descem a ladeira da Peixoto Gomide entoando, com surpreendente afinação, "Pra Frente Brasil!". (C) Poem Ronaldo de costas, aos empurrões, junto ao poste mais próximo, abrem-lhe as pernas à força, revistam-no com energia, impondo sua autoridade aos berros, de sorte a por em fuga os midnight cowboys a passeio em frente ao Colégio Dante Alighieri.
enviada por mino
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