28/11/2006 20:03
Ulisse, partigiano
Respondo ao leitor Giorgio Croce. Sou genovês com muita honra, Genova é forte, aspera e bellíssima. Lá estive faz pouco tempo, e me hospedei em um hotel que fica no porto, em Caricamento. Graças a um extraordinario arquiteto genovês, Renzo Piano, o porto virou literalmente uma praça, onde você circula entre o cais e palácios medievais, um deles o do Banco di San Giorgio, o primeiro banco do mundo. O hotel estica-se água adentro, ao lado de um galeão de 1600. Quem abre as jenals dos quartos tropeça com os olhos em velas e costados de navios. Seu pai é da Foce, eu sou de Castelletto. Quando seu pai era partigiano, eu, ainda menino, vivi no Piemonte, entre Asti e Alba, por quase três anos. Lá meu pai se escondeu, caçado pelos fascistas, em abril de 1944. Mais um parentesco: conheci Davide Lajolo. Em 1957 saí do Brasil e fui trabalhar em Turim, na redação de La Gazzetta del Popolo. E, ainda em 57, fui cobrir um festival de cinema que se realizava em Saint Vincent, no Vale de Aosta. Estavam lá diretores como Antonioni e atores como Alida Valli, Maurizio Arena e Bruce Cabot. Todos participaram de uma pescaria de trutas, só consegui pescar uma. Lá estava também Davide Lajolo. Andava eu pelo hotel, fantasmagórico, desemboquei em uma sala pequena, apinhada de gente. Cercavam o ex-partigiano Ulisse, então diretor do L'Unitá, sentado à mesa centro, a pontificar. Entrei no grupo, o homem era maciço e falante, contava com força e graça histórias da guerra, tinha 23 anos e ali fiquei, encantado. Imagino que seu pai estivesse também presente, nos enredos de Lajolo.
enviada por mino
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