16/11/2006 20:45
O motorizado do Brasil
Coloquemos um marronzinho, um destes que supõem dirigir o trânsito, em alguma esquina movimentada, e mesmo nem tanto, da capital bandeirante. É garantia de congestionamento. Ora direis: incompetência do marronzinho. Em parte, sim. A outra parte, com peso até maior, fica por conta dos motorizados. Eles têm medo, pânico, terror, da autoridade, investida do poder de multar. No entanto, a outra faceta do temperamento do motorizado do Brasil adora uma fila quase quanto um feriado. Como enforcador de feriados, o automobilista nativo é imbatível. Atira-se na rota da praia ou do campo. Reparo no trânsito paulistano nesta quinta: uma delícia. Mas como evitar? Feriado na quarta 15 e na segunda 20, claro, claríssimo, tudo só recomeça na terça 21. À fila, voltemos ao assunto. Na fila ouve-se o rádio, usa-se à larga o bem-amado celular, ou fixam-se os olhos no infinito, poeticamente. Eles gostam muito, quer dizer, o marronzinho está habilitado a desempenhar o papel de mal que vem para bem. Diga-se que o motorizado do Brasil é cidadão especial, e como tal se considera. O veículo automor confere-lhe estatura social e entrega-lhe algo similar a instrumento bélico, igual ao tanque americano no Iraque, capaz de afirma-lo. Prepotente, indisciplinado, muitas vezes irresponsável em relação a si próprio. Somos campeões mundiais em acidentes de trânsito, na terra de Senna, Emerson e Piquet. Capítulo extra para as dondocas motorizadas. Estão sempre à espera do galanteio sobre rodas, do gesto cavalheiresco que as deixa passar sobre o asfalto como se estivessem à porta de um elevador. E com que graça estacionam em fila tripla, ou desrespeitam o sinal vermelho... De todo modo, o mundo se curva: não há manobristas em Londres e Paris.
enviada por mino
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