14/11/2006 17:15
Brasileiro
Às vezes perco a paciência quando alguém chega e lembra que não nasci no Brasil. Um dia, senhor de hábitos elegantes, no sentido mais amplo e respeitável, irritou-se comigo porque disse a ele não ter especial admiração por Fernando Henrique Cardoso. E como eu fizesse referência a uma frase de Massimo D'Alema, ex-premier italiano, e atual chanceler no governo de Romano Prodi, que definiu FHC presidente de exportação, aquele cavalheiro polido me convidou a regressar imediatamente para a Itália. Pois carrego sessenta anos de Brasil, mais especificamente de São Paulo, onde cheguei em agosto de 1946, com doze anos e de calça curta. Só houve interrupção quando, dez anos após, fui trabalhar em redações italianas, primeiro em Turim, depois em Roma. Lá passei três anos e alguns meses, sem demolir as pontes que por sobre o Atlântico me ligavam ao Brasil. Voltei em março de 1960, para assumir pela primeira vez uma chefia de redação, no caso da revista Quatro Rodas, ainda em fase de preparação. Acho ser mais brasileiro do que muitos nascidos aqui. Falo dos privilegiados e dos aspirantes ao privilégio, ainda que esteja disposto a destacar exceções. Estes, quase sempre, só viram patriotas durante o Mundial de Futebol. No mais, seus interesses, e os de sua classe, vem muito antes do que o País.
enviada por mino
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