24/11/2006 10:00
Ao leitor em Angola
Respondo ao leitor Helio Mauro França. Pois é, a sardenaira. Volta e meia evoco, e, felizmente, com razoável freqüência, encanta-me o paladar e o espírito. Aliás, um não existe sem o outro. Esclareço: sardenaira é sardenaira, não é pizza. A pizza de Nápoles, comida lá, é, a seu modo, imbatível, por causa da quantidade de muçarela, de leite de vaca, dos tomates e do manjericão. Refiro-me, obviamente, à Margherita. Eu não gosto de queijo derretido, mas a receita é esta, não há o que fazer. Em Nápoles, consegui até consumi-la com um sorriso nos lábios. A sardenaira é outra coisa, pela enésima vez me referi a ela recentemente, sem deixar de lembrar que enfeita mesas ao longo da riviera ítalo-francesa, e em cada lugar assume um nome diferente. Sardenaira em Sanremo, Bordigheta Pisciarada, em Ventimiglia Pissallandrea, em Nice Pisaladiere. A receita, depositada em definitivo em meus ouvidos e no meu coração por minha avó materna, sanremese, é a seguinte. Massa de farinha de trigo, sustentada por um copo de leite e ovos, na quantidade devida, e estufada muscularmente pro fermento de bolo. O bastante de massa para preencher o espaço de uma forma média, com a altura de um dedo médio na horizontal. Descansa por duas horas e meia. Ao tomar conta da forma, fincar nela quatro dentes de alho, de casca e tudo, cortados ao meio, em pontos eqüidistantes. Deitar sobre ela molho de tomate, consistente, adrede preparado com a colaboração de cebola picada e alourada no azeite. Enchovas depositadas com esmero estético, já a imaginar a repartição, bem como azeitonas pretas descaroçadas e um punhado robusto de alcaparras. Enfim, revoada de folhas de manjericão, ou nevasca de orégano. Forno por mais ou menos meia hora. Depende dos comportamentos do próprio. Felicidades.
enviada por mino
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