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21/11/2006 20:38

A ética e a estética

Aos meus detratores sugiro a leitura de um conto de Joseph Conrad, Os Duelistas. Ou, como alternativa apreciável, a visão do filme dirigido por Ridley Scott, transposição magistral do conto, valorizada por requinte estético deslumbrante. E a gente sabe que, segundo os gregos, estética e ética são a mesma coisa. É um filme, já a disposição em DVD, dos fins da década de 70, interpretado por Harvey Keitel e Keith Carradine. Eles são os duelistas, tenentes do exército de Napoleão, em 1801. Um deles é duelista obcecado. Desafia Deus e todo mundo, por motivos triviais e até sem motivos. O outro toca a vida com ceticismo na inteligência e otimismo na ação. O primeiro, Keitel, é um emergente revoltado. O segundo, Carradine, é um aristocrata que admira o Grande Corso. Os superiores de Keitel não estão satisfeitos com os desempenhos do tenente sempre de sabre em punho e decidem sua prisão domiciliar por uns dias. Incumbido de informá-lo a respeito, Carradine. Executa ordens, conhece o outro só de vista, mas basta para desencadear o ódio de Keitel que seja ele o porta-voz da decisão superior. Logo que é possível, desafia-o para um duelo. Carradine não entende, aquilo contradiz a razão e o senso comum. É soldado, contudo, e homem de honra, de sorte que aceita. E é ferido. Para desapontamente de Keitel, a luta é interrompida. O tempo passa, os dois viram capitães, majores, coronéis. A cada promoção, Keitel remete os segundos na direção de Carradine, o qual ainda não acha razão, embora se disponha a mais um embate em nome do código dos cavalheiros. Napoleão é preso, vai para Elba, sai, volta à França e governa por cem dias, enfim é derrotado em Waterloo e exilado em Santa Helena. Os duelistas aposentam-se como generais. Keitel, contudo, não desiste, e vai para o último desafio. Não conto o final do enredo, em sinal de respeito à curiosidade de quem não leu o conto, ou não viu o filme. Trata-se da história inexorável de uma obsessão, despida de qualquer apego à realidade, nascida, simplesmente, das lamúrias malsãs do recalque, da inveja, da raiva do mundo.
enviada por mino






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